Uma declaração antiga de Miguel Coelho sobre o programa Nova Semente voltou ao debate político em Petrolina após Julio Lossio publicar um vídeo respondendo ao ex-prefeito. Atualmente candidatos a deputado federal e estadual, respectivamente, os dois ex-gestores colocaram novamente em discussão modelos adotados na educação infantil do município, mas Lossio ampliou a crítica e direcionou parte de sua fala para a situação atual da saúde pública.
No vídeo antigo recuperado por Lossio, Miguel critica o funcionamento do Nova Semente antes de assumir a Prefeitura. “Essas creches, antes da minha gestão, eram pagas. As pessoas tinham que fazer rifa, bingo, pedir dinheiro emprestado para comprar um básico”, afirmou.
A cobrança às famílias realmente existiu durante o modelo anterior do Nova Semente. Ainda em 2016, antes de assumir a Prefeitura, Miguel defendia publicamente o fim de mensalidades e matrículas. Em janeiro de 2017, já prefeito, anunciou a gratuidade do programa e proibiu taxas para acesso às unidades, além de rifas e outras arrecadações destinadas às creches.
Na resposta atual, Lossio reconhece o custo elevado do programa durante sua administração, mas argumenta que havia uma estrutura maior de atendimento. Segundo ele, eram gastos cerca de R$ 50 milhões por ano, com unidades funcionando das 6h às 18h, cinco refeições diárias e dois turnos de funcionários.
Lossio afirma que, após a mudança de gestão, houve redução do horário de funcionamento, fechamento de unidades e demissões. Registros da época confirmam que o Nova Semente passou por uma ampla reformulação em 2017. Naquele momento, Miguel anunciou que 91 unidades seriam mantidas e declarou que haveria demissões porque, segundo sua gestão, não seria possível custear o programa no formato existente. Há também registro de que o programa chegou a possuir 143 unidades durante a administração Lossio.
Isso não comprova, por si só, todas as avaliações feitas por Lossio sobre as consequências das mudanças. No vídeo, ele também acusa a administração posterior de ter reduzido a participação comunitária e permitido influência política na contratação de funcionários — afirmações que exigiriam documentação ou manifestação da gestão citada para serem apresentadas como fatos.
É então que Lossio muda o foco da educação para a saúde. Segundo o ex-prefeito, enquanto Miguel criticava famílias que faziam rifas e bingos para ajudar a manter unidades do Nova Semente, atualmente haveria moradores recorrendo às mesmas formas de arrecadação para conseguir pagar consultas, exames e cirurgias.
“O que me entristece, Miguel, é ver as pessoas tendo que fazer bingo para pagar consulta, exames, cirurgias”, declarou Lossio.
O candidato também cita falta de medicamentos, problemas estruturais nas unidades e dificuldades para realização de exames, mencionando especificamente fiscalizações realizadas pelo Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe).
Nesse ponto, existem constatações recentes independentes da fala do candidato. Em agosto, o Simepe visitou unidades da rede municipal e relatou infiltrações, mofo, rachaduras, sobrecarga de atendimentos e espera para exames como ultrassonografia, raio-X e endoscopia, além de dificuldades para procedimentos de maior complexidade.
Em outra fiscalização divulgada pelo sindicato, foram relatados falta de equipamentos, insumos e medicamentos, além da existência de cotas para exames laboratoriais em unidades visitadas.
O Simepe já havia acompanhado, em 2025, inspeções realizadas pelo Cremepe a pedido do Ministério Público de Pernambuco e divulgado problemas como estruturas físicas comprometidas, falta de acessibilidade, medicamentos vencidos e unidades fechadas para manutenção.
As constatações do sindicato dão contexto a parte das críticas sobre a rede de saúde, mas não comprovam a afirmação mais ampla de Lossio de que a saúde de Petrolina “regrediu muito”, que representa uma avaliação política do ex-prefeito. Da mesma forma, a afirmação de que moradores estão realizando rifas especificamente para custear procedimentos médicos precisaria ser documentada caso a caso.
Lossio ainda criticou o modelo atual das unidades básicas e afirmou que as antigas AMEs teriam sido “praticamente abandonadas”. Ele disse ter construído 20 unidades desse modelo durante sua gestão e acusou administrações posteriores de retornarem a estruturas menores. Essas afirmações também precisam ser confrontadas com os números atuais da rede municipal.
O Notícia no Vale deixa espaço para manifestação de Miguel Coelho e da Prefeitura de Petrolina sobre as declarações de Julio Lossio e as condições atuais dos serviços citados.










Leave a comment