O incêndio de grandes proporções que atingiu a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife, na noite desta quarta-feira (7), provocou danos a laboratórios e perdas de pesquisas científicas desenvolvidas ao longo de anos. Enquanto imagens da destruição circulam nas redes sociais, diferentes versões sobre a origem das chamas passaram a ser discutidas. Entretanto, até a manhã desta quinta-feira (8), não havia conclusão pericial que apontasse se o incêndio foi acidental ou criminoso.
O fogo atingiu o antigo prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (DINE), na Cidade Universitária, onde funcionavam laboratórios ligados às áreas de fármacos, genética e informática. O Corpo de Bombeiros mobilizou oito viaturas durante a operação, que se estendeu pela madrugada. Não houve registro de vítimas. Segundo a UFPE, materiais armazenados no edifício contribuíram para a rápida propagação das chamas.
A repercussão ganhou dimensão política após o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) divulgar relatos de supostas ameaças recebidas por estudantes antes do incêndio. Entre as mensagens apresentadas, havia referências a uma possível ação contra instalações da universidade. A autenticidade dessas mensagens e qualquer relação com o incêndio, porém, ainda não foram comprovadas. Por isso, não é possível atribuir o episódio a apoiadores de qualquer candidato ou movimento político.
Paralelamente, circulam relatos de que problemas em equipamentos de ar-condicionado ou nas instalações elétricas poderiam estar relacionados ao início do fogo. Um vídeo atribuído a integrantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) é mencionado nesse contexto, mas seu conteúdo integral, a identidade dos participantes e as circunstâncias das declarações ainda precisam ser verificados. Mesmo que um defeito anterior seja confirmado, isso não comprova que tenha provocado o incêndio.
A Polícia Federal informou que vai instaurar inquérito e enviou peritos ao local para examinar as circunstâncias da ocorrência. O reitor Alfredo Gomes relatou perdas de equipamentos, amostras e dados de pesquisas. O prédio abrigava aproximadamente R$ 100 milhões em equipamentos, segundo a reitoria, mas esse valor não representa um balanço oficial dos prejuízos efetivamente causados pelo fogo.
Este também não foi o primeiro incêndio recente na instituição. Outros dois episódios foram registrados em laboratórios da UFPE desde o fim de setembro, em locais distintos. A repetição das ocorrências reforça a necessidade de esclarecimentos sobre as causas de cada caso e as condições de segurança dos prédios, sem presumir que todos tenham a mesma origem.
A investigação deverá esclarecer onde o fogo começou, se havia falhas elétricas ou equipamentos defeituosos, quais eram as condições de manutenção do edifício e se existem elementos que indiquem ação intencional. Até a conclusão dessas verificações, nenhuma das hipóteses pode ser tratada como causa comprovada.
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