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Menino autista era mantido preso em canil

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Duas mulheres foram presas, nesta segunda-feira, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, sob a acusação de manterem um menino autista, de 8 anos, em cárcere privado. Mãe e avó da criança, a dupla prendia a vítima em um canil na parte externa da casa, com a porta trancada. Segundo a polícia, o espaço soma menos de 2 metros quadrados e tem, de modo geral, péssimas condições sanitárias.

As investigações tiveram início há cerca de dez dias, depois que uma denúncia anônima, que incluía fotos do menino trancado no canil, foi remetida à Polícia Civil, ao Conselho Tutelar e a outros órgãos. Contudo, como a residência da família fica em um dos pontos mais críticos da comunidade Gogó da Ema, uma das favelas mais violentas da cidade, foi preciso elaborar uma estratégia que permitisse o resgate da criança sem expor outros moradores ao risco de uma operação.

Agentes da 54ª DP (Belford Roxo) começaram, então, a monitorar a movimentação das suspeitas. Nesta segunda-feira, enquanto as duas eram presas em flagrante pelos policiais civis no Centro de Belford Roxo, uma equipe do Conselho Tutelar do município, autorizada pela Justiça, foi até o local e resgatou o menino.

De acordo com o delegado José Salomão Omena, titular da 54ª DP, a vítima apresentava inanição, desidratação e diversos machucados pelo corpo. Um exame de corpo de delito, que atestará a gravidade das lesões, já foi solicitado.

– Ainda não sabemos há quanto tempo ele estava nessas condições, mas, pela gravidade do quadro de desnutrição, acredito que não era uma situação recente. O menino era tratado como um bicho. O animal, ali naquele canil, era ele – afirma o delegado, que continua: – O autista precisa de todo um acompanhamento social. Daquele jeito, só iria regredir.

As duas mulheres, que não tiveram os nomes divulgados para preservar a identidade da vítima, permaneceram em silêncio na delegacia. De acordo com o relato de vizinhos, contudo, a justificativa para manter a criança presa no espaço minúsculo era a de que queriam apenas impedir uma fuga.

O menino foi encaminhado para tratamento multidisciplinar e está internada devido a um delicado estado de saúde. Já as duas mulheres, segundo a Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap), já deram entrada no sistema prisional e aguardavam, até o início da noite desta terça-feira, a realização das audiências de custódia. Elas não possuíam nenhum antecedente criminal.

Além do cárcere privado, a mãe e a avó do menino também foram indiciadas pelo crime de tortura. Se condenadas, as penas podem chegar, somadas, a mais de 15 anos de prisão. (Ag O Globo)

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