Por que a Nasa esperou 50 anos para abrir esta amostra da Lua?
Um tubo de metal, contendo amostras do solo lunar, está lacrado desde 1972, quando foi coletado pela missão Apollo 17. Mas agora, a Nasa finalmente vai abri-lo.
O recipiente de 35cm de comprimento e 4cm de diâmetro, selado a vácuo, contém rochas e poeira retiradas de um depósito de deslizamentos de terra, na região da Lua conhecida como Vale Taurus-Littrow. Os cientistas esperam que gases lunares também possam ter sido armazenados lá dentro.
Quando a amostra em questão foi retirada pelos astronautas Eugene Cernan e Harrison “Jack” Schmitt, em dezembro de 1972, não havia muitos recursos para análise.
Mas a equipe acreditava que, no futuro, a ciência e a tecnologia continuariam avançando, mesmo que não houvesse mais missões tripuladas para a Lua — a Apollo 17 foi a última vez que o homem pisou no satélite natural da Terra. Então, manteve intocadas algumas das 2.196 amostras coletadas nas seis viagens do programa, entre 1969 e 1972, para serem estudadas nas décadas seguintes.
Agora, com modernos instrumentos, a Nasa já iniciou um longo e cuidadoso processo para abrir o tubo, que deve durar várias semanas, em parceria com a ESA (agência espacial europeia). Um dispositivo do tipo manifold, batizado “abridor de latas Apollo”, foi desenvolvido especialmente para perfurá-lo, sem deixar gás escapar ou contaminar o material.
Apenas dois tubos do programa Apollo foram selados a vácuo pelos astronautas na própria Lua, no momento da coleta — os demais foram fechados da maneira comum, sem total vedação. Este é o primeiro destes dois “especiais” a ser aberto. Além dele, restam apenas outras três amostras intocadas (uma que já chegou selada e duas “normais”).
As preciosidades são mantidas em uma estrutura reforçada, com uma segunda camada de vácuo e atmosfera controlada, no Centro Espacial Johnson, em Houston.
Gases valiosos
Para coletar esta amostra, os astronautas basicamente martelaram o tubo no chão — e relataram que ele ficou muito gelado. Para a Nasa, é um indicativo de que substâncias voláteis também tenham sido aprisionadas, como gelo e dióxido de carbono, que evaporariam em temperaturas normais.