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Caruaru deu 75%, Petrolina 51% e Recife quase empatou: como Raquel venceu Pernambuco

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A reeleição de Raquel Lyra (PSD) no primeiro turno não foi construída em um único reduto. Uma análise dos resultados municipais divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que a governadora compensou a derrota para João Campos (PSB) no Recife com uma vantagem territorial muito mais ampla pelo restante de Pernambuco. Com 100% das urnas totalizadas, Raquel terminou com 2.805.438 votos, ou 53,27% dos válidos, contra 2.360.469 votos, ou 44,82%, de João Campos. A diferença estadual chegou a 444.969 votos.

O mapa municipal ajuda a explicar essa diferença. Das 185 localidades consideradas na totalização do TSE — os 184 municípios e Fernando de Noronha — Raquel ficou à frente em 133 e João em 52. Isso significa que a reeleição não dependeu de vencer a capital: foi a capacidade de acumular vantagens em uma quantidade muito maior de municípios que sustentou o resultado estadual. O próprio TSE disponibiliza a totalização de 2026 por estado, município e zona eleitoral, permitindo observar essa distribuição.

O Recife, base política de João Campos e maior colégio eleitoral do estado, naturalmente representava um risco para Raquel. João venceu na capital com 473.994 votos, 49,94% dos válidos, enquanto Raquel recebeu 437.301, ou 46,07%. A diferença foi de 36.693 votos. É significativa, mas pequena diante da vantagem estadual de quase 445 mil votos. Em outras palavras: João ganhou Recife, mas não conseguiu construir na capital uma margem suficientemente grande para neutralizar o que Raquel fazia fora dela. Os números municipais são os divulgados na totalização do TSE.

E é justamente quando se sai do Recife que aparece uma das chaves da eleição. Caruaru, cidade administrada por Raquel antes de ela chegar ao Governo do Estado, entregou uma vantagem expressiva à governadora: ela alcançou 75,22% dos votos válidos no município. O percentual mostra que sua antiga base eleitoral continuou funcionando como um dos redutos mais fortes da candidatura. Mais do que simplesmente vencer Caruaru, Raquel conseguiu construir ali uma margem capaz de compensar parte das derrotas sofridas em municípios onde João Campos liderou.

A vantagem também apareceu em grandes colégios eleitorais fora da capital. Raquel ficou à frente em Jaboatão dos Guararapes, com 51,24%, e venceu também em Paulista, com 52,53%. No Sertão, Petrolina deu 51,63% dos votos válidos à governadora. Esses municípios têm peso diferente de pequenas cidades: cada vantagem conquistada em grandes eleitorados acrescenta dezenas de milhares de votos ao resultado estadual.

João Campos conseguiu responder em alguns pontos importantes. Além do Recife, venceu Olinda, onde alcançou 49,05%, e obteve maioria em municípios como Escada, onde chegou a 51,70%. Mas há uma diferença fundamental entre ganhar determinadas cidades e formar uma maioria estadual: enquanto João concentrou algumas de suas maiores vantagens na Região Metropolitana e em redutos específicos, Raquel espalhou vitórias por uma parcela muito maior do mapa pernambucano.

Essa distribuição ajuda a entender por que olhar apenas Recife produziria uma leitura equivocada da eleição. João saiu da capital com aproximadamente 36,7 mil votos de vantagem sobre Raquel. No conjunto de Pernambuco, entretanto, terminou 444.969 votos atrás. Portanto, excluindo apenas essa diferença recifense da equação, o restante do estado produziu uma vantagem líquida para Raquel na ordem de 481 mil votos. É aí que está, numericamente, a explicação central da reeleição.

A comparação com 2022 mostra também como mudou a dimensão eleitoral de Raquel. Naquele ano, ela chegou ao segundo turno depois de terminar a primeira etapa apenas na segunda colocação. Segundo o TSE, Raquel recebeu 1.009.556 votos, ou 20,58% dos válidos, no primeiro turno de 2022, enquanto Marília Arraes liderou com 1.175.651 votos, ou 23,97%. Raquel precisou do segundo turno para chegar ao Governo do Estado.

Quatro anos depois, a situação foi completamente diferente. Raquel saiu de 1,009 milhão de votos no primeiro turno de 2022 para 2,805 milhões em 2026. São aproximadamente 1,796 milhão de votos a mais entre os dois primeiros turnos, embora a comparação deva ser feita com cautela porque adversários, alianças e contexto eleitoral mudaram. Mais importante politicamente é a mudança no percentual: de 20,58% para 53,27%, suficiente para eliminar a necessidade de segundo turno.

Em 2022, Raquel acabou eleita somente no segundo turno contra Marília Arraes. O TSE a declarou matematicamente eleita quando aparecia com 58,87% dos votos válidos, contra 41,13% de Marília. A eleição de 2026, portanto, apresenta uma diferença relevante: desta vez, Raquel conseguiu formar uma maioria absoluta já na primeira votação.

Não existe, porém, uma única cidade que possa ser apontada isoladamente como responsável pela reeleição. A matemática mostra uma combinação. Caruaru foi um dos grandes pilares, pelo percentual extremamente alto; cidades populosas como Jaboatão, Petrolina e Paulista ajudaram pelo volume de eleitores; e dezenas de municípios menores somaram vantagens sucessivas. O fator decisivo foi a capilaridade: 133 vitórias municipais contra 52 de João Campos.

No fim, talvez o dado que melhor explique a eleição seja justamente o contraste entre Recife e Pernambuco. João Campos conseguiu vencer sua principal base, mas por menos de 37 mil votos. Raquel perdeu a capital e, ainda assim, terminou Pernambuco quase 445 mil votos à frente. A eleição de 2026 foi decidida, sobretudo, pelo tamanho da vantagem que a governadora conseguiu construir quando o mapa avançou para além do Recife. (foto ilustrativa)

 

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