O eleitor que esperava um confronto direto entre os principais candidatos à Presidência ficará sem um dos debates previstos para esta reta da campanha. O pool “O Momento da Decisão”, formado por 11 veículos de comunicação, cancelou nesta terça-feira (8) o debate presidencial marcado para 14 de setembro depois que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não confirmaram participação dentro do prazo estabelecido.
Segundo o comunicado, Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) haviam aceitado o convite. Mesmo assim, a ausência de confirmação dos dois candidatos que concentram a maior parte das intenções de voto no cenário apresentado pelo próprio processo eleitoral levou o grupo a desistir do encontro. Na prática, a decisão mostra um problema recorrente dos debates: quando candidaturas centrais não participam, as emissoras acabam avaliando que o evento perde peso político e audiência — mas o efeito colateral é claro, porque também tira espaço dos candidatos que aceitaram comparecer e reduz uma oportunidade de comparação direta para o eleitor.
O mesmo aconteceu na disputa pelo governo de São Paulo. O debate previsto para 18 de setembro também foi cancelado depois que Tarcísio de Freitas não confirmou presença. A campanha de Fernando Haddad havia confirmado participação. O pool reúne CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e VEJA+ TV.
O próprio grupo afirmou que continua considerando os debates instrumentos importantes para a democracia. A contradição, porém, fica evidente: os veículos defendem o debate como espaço essencial para o eleitor conhecer propostas, mas optam por cancelar o encontro quando candidatos de maior peso eleitoral não confirmam presença. A decisão pode ser compreensível do ponto de vista de relevância e audiência, mas também fortalece uma lógica em que justamente quem aceita se submeter ao contraditório acaba ficando sem o espaço.
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