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Mais grave que notícias falsas é a desinformação, avaliam comunicadores

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O grande volume de notícias falsas, as chamadas fake news, e a prática de desinformação são preocupantes, mas não chegam a ser uma novidade em época de eleição. Esta é a avaliação de Sérgio Amadeu, sociólogo e professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), e de Renata Mielli, coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).

“O processo de combate com ideias exageradas, falsas, deslocadas, não surgiu com a internet, é bem anterior à Internet. Quero lembrar que quando a ex-presidente Dilma Rousseff foi eleita ocorreu um conjunto de mentiras, nas eleições de 89, quando a Internet nem era comercial no Brasil, o Lula foi atacado. Diziam que ele iria dividir o apartamento das pessoas e tomar os quartos para alocar os pobres. Existe há muito tempo”, relembra Amadeu.

Segundo ele, a grande novidade deste processo eleitoral vem dos EUA. A direita estadunidense passou a utilizar de forma consciente o trabalho de desinformação. “E o que é uma desinformação. Não é só uma notícia falsa, é encher de verdade exagerada uma situação, é descontextualizar. Inclusive, aquelas informações de difícil checagem”, explica o sociólogo.

É diferente do fake news, “um fato que não ocorreu”, segundo Amadeu. “Mas o problema não é esse, o problema é tentar transformar opinião em fato e eles fazem isso o tempo todo. É isso que está acontecendo aqui [também]. Nós vamos ter que trabalhar este fenômeno e não é tão simples”, admite.

Renata Mielli acrescenta que sempre houve a “boataria em política”, no entanto o que chama a atenção é o alcance. “Qual é o fenômeno novo? É a escala, o alcance e a velocidade que a Internet permite dar a este tipo de conteúdo”, pontua.

No entanto, para ela, a questão mais grave é a polarização atual da sociedade. Uma boataria, uma desinformação no atual momento político tem um impacto muito diferente do que em um cenário com instituições com alto grau de credibilidade, política ocorrendo em um ambiente saudável de democracia. Segundo Mielli, as particularidades econômicas, politicas e das novas tecnologias fizeram com que uma questão que sempre existiu na sociedade ganhasse a dimensão que está ganhando hoje.

Sobre os meios de comunicação hegemônicos, a avaliação dos especialistas é que os interesses que os movem nas eleições não são inéditos “Eles sempre atuaram nos períodos eleitorais, e fora dos períodos eleitorais, como um partido político. Eles têm posição, têm interesses econômicos, interesses políticos que estão muito explícitos hoje na sociedade”, afirma a coordenadora-geral do FNDC.

Segundo ela, não é novidade que os meios de comunicação construam suas narrativas, os seus conteúdos sob determinado objetivo. Mielli acredita que, ao se apresentarem de forma mais explicita em relação os interesses que defendem, os veículos corporativos acabaram perdendo um pouco de credibilidade com alguns setores da sociedade.

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