Aos 65 anos, a agricultora Adorina Alves da Silva realizou nesta segunda-feira (5) a primeira mamografia da vida. Moradora do Núcleo 3 do Perímetro Irrigado Senador Nilo Coelho, na zona rural de Petrolina, ela conta que passou anos evitando o procedimento por medo da dor e também de descobrir um possível câncer.
Adorina já havia realizado ultrassonografias das mamas, mas nunca uma mamografia. Além da rotina dividida entre trabalho no campo, família e casa, relatos de outras mulheres sobre desconforto durante o exame contribuíram para que ela continuasse adiando. Desta vez, a possibilidade de realizar o procedimento perto de casa, em um caminhão de atendimento itinerante disponibilizado pela Secretaria de Saúde de Petrolina, ajudou na decisão.
“Eu nunca fiz por medo. Diziam que doía muito, que remexia para cima, para baixo, puxava, e ouvindo isso sempre fui deixando de lado”, contou. A apreensão, segundo ela, continuou até o momento do procedimento. A experiência, porém, acabou sendo diferente daquilo que havia imaginado. “Cheguei com medo, mas estou saindo aliviada. Nem doeu como eu imaginava.”
A mamografia é um exame de imagem utilizado para investigar alterações nas mamas e tem papel importante na detecção precoce do câncer de mama. Durante o procedimento, cada mama é posicionada e comprimida por alguns segundos para a obtenção das imagens. Pode haver desconforto, cuja intensidade varia de pessoa para pessoa.
Depois de passar pela primeira experiência aos 65 anos, Adorina deixou um recado para outras mulheres que também adiam o exame por receio. “Se eu soubesse que era assim, teria feito antes. Hoje eu estou feliz por ter vindo. A gente cuida de todo mundo e acaba esquecendo da gente. Agora eu fiz e espero que outras mulheres também percam o medo.”
O caso chama atenção para uma questão que vai além da história individual da agricultora: o medo e a dificuldade de acesso podem contribuir para o adiamento de exames preventivos, especialmente entre moradores da zona rural. A aproximação do atendimento das comunidades reduz uma das barreiras práticas, mas informação e orientação profissional continuam sendo fundamentais para que cada pessoa saiba quando e como realizar o acompanhamento adequado.










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