Candidato do Missão endureceu o discurso no 7 de Setembro, criticou os três adversários e também defendeu a saída de Moraes, Toffoli, Paulo Gonet e do diretor-geral da Polícia Federal
A disputa presidencial ganhou um confronto mais direto neste 7 de Setembro. O candidato do Missão, Renan Santos, usou um ato em São Paulo para atacar simultaneamente Augusto Cury, Lula e Flávio Bolsonaro, mas reservou algumas das declarações mais duras ao escritor, que atualmente ocupa a terceira posição nas pesquisas.
Ao comentar o crescimento de Cury, Renan afirmou que votar no candidato do Avante representaria uma forma de “desistência” e classificou sua ascensão eleitoral como uma “ascensão da covardia”. As declarações foram feitas poucos dias depois de Cury alcançar dois dígitos em uma rodada da Quaest.
A provocação acontece justamente quando Renan tenta diminuir a distância para o terceiro colocado. Na Quaest divulgada nesta segunda-feira (7), Cury aparece com 8%, enquanto Renan Santos e Ronaldo Caiado registram 3% cada. Lula lidera com 36% e Flávio Bolsonaro aparece com 29%.
Renan mira diretamente o eleitor de Cury
A fala mais provocativa do candidato do Missão colocou os três principais adversários no mesmo pacote. Renan afirmou que votar em Flávio ou Lula seria “desistir do Brasil” e ironizou os apoiadores de Cury fazendo referência ao medicamento Rivotril.
O movimento tem peso eleitoral porque Cury está cinco pontos à frente de Renan na pesquisa mais recente. Dessa forma, embora Renan tenha criticado também os dois líderes, o ataque ao escritor ocorre em meio a uma disputa clara por espaço entre as candidaturas que tentam romper a polarização.
Não é possível afirmar, apenas com a declaração, que exista uma estratégia formal de campanha para tomar votos de Cury. Mas o contexto eleitoral torna o embate entre os dois especialmente relevante.
Renan também sobe o tom contra STF, PGR e PF
O discurso foi além da eleição.
Renan defendeu a saída dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Segundo o candidato, a cobrança está relacionada às investigações envolvendo o Banco Master.
Ele também apresentou um manifesto defendendo o aprofundamento das investigações relacionadas ao banco, inclusive sobre possíveis relações no meio jurídico, político e empresarial.
As declarações são posições e acusações feitas pelo candidato e não devem ser tratadas, por si só, como comprovação de irregularidades cometidas pelas autoridades citadas.
Cury responde por outro caminho e elogia André Mendonça
Enquanto Renan direcionou críticas ao escritor, Cury adotou outro discurso durante caminhada no Rio de Janeiro. O candidato do Avante manifestou solidariedade ao ministro André Mendonça e defendeu que eventuais indícios de irregularidades dentro do Supremo sejam investigados independentemente de quem esteja envolvido.
Cury também aproveitou o ato para anunciar uma proposta voltada às microempresas. Segundo ele, caso eleito, pretende direcionar políticas de financiamento a 10 milhões de microempresas, além de criar estruturas voltadas ao empreendedorismo em escolas públicas.
Briga pelo terceiro lugar começa a esquentar
A declaração de Renan ganha dimensão justamente por causa dos números.
Com Lula em 36% e Flávio em 29%, existe atualmente uma distância considerável entre os dois primeiros colocados e o restante do campo. Cury aparece com 8%, enquanto Renan e Caiado têm 3%.
Por isso, a disputa dentro desse segundo grupo pode se tornar uma batalha própria da campanha: quem conseguirá se consolidar como alternativa aos dois líderes?
Renan resolveu partir para o confronto direto. Agora, o próximo movimento de Cury — e principalmente o comportamento das próximas pesquisas — ajudará a mostrar se a estratégia consegue reduzir a diferença entre os dois.
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