Após um voo ao redor da Lua repleto de momentos intensos e simbólicos, os quatro astronautas da missão Artemis II deverão retornar à atmosfera terrestre e realizar um pouso na água na noite desta sexta-feira (10), na costa da Califórnia.
“Podemos começar a comemorar assim que a tripulação esteja em segurança” a bordo do embarque de recuperação, observou Amit Kshatriya, administrador associado da Nasa, durante uma coletiva de imprensa na quinta-feira.
“Será realmente o momento em que podemos deixar as emoções tomar conta e começar a falar em sucesso”, acrescentou.
Após se aventurarem a mais de 406.000 milhas da Terra, a maior distância já percorrida, os americanos Christina Koch, Victor Glover e Reid Wiseman, e o canadense Jeremy Hansen, a bordo da cápsula Orion, devem pousar na costa de San Diego, por volta das 17h07 locais (21h07 no horário de Brasília).
O pouso na água está programado para encerrar esta missão de dez dias, que transcorreu com uma execução impecável até o momento.
Um retorno seguro proporcionaria à Nasa o rompimento de ter enviado astronautas com sucesso para o espaço profundo pela primeira vez desde o fim do programa Apollo, em 1972, após anos de atrasos e incertezas.
Um sucesso que depende da capacidade do escudo térmico da Orion para suportar as temperaturas de 2.700°C geradas pelo atrito atmosférico durante o retorno.
“Bola de fogo”
“Atravessar a atmosfera como uma bola de fogo” será uma experiência tremenda, ensinada pelo piloto Victor Glover no início desta semana, confessando que, desde sua seleção para a tripulação em 2023, tem sentido uma certa apreensão em relação a esse momento.
Embora essa fase seja sempre delicada para os astronautas que retornam da Estação Espacial Internacional, as preocupações são intensificadas pelo fato de ser o primeiro voo tripulado da Orion e por ter sido detectado um problema durante um teste não tripulado em 2022.
Durante seu retorno à Terra, o escudo térmico que protege a espaçonave ficou comprometido “de maneira inesperada”, segundo um relatório técnico.
Apesar dessa anomalia, a agência espacial americana decidiu manter o mesmo escudo, ajustando sua trajetória de voo para um ângulo de entrada aérea mais direto, limitando a manobra de “salto” que contribui para sua manipulação.
A decisão gerou comentários e ainda pesar sobre a alta cúpula da Nasa. “Não vou parar de pensar nisso até que esteja na água”, afirmou o chefe da Nasa, Jared Isaacman, em uma entrevista recente.
“Não posso dizer que não há nenhuma apreensão irracional”, admitiu seu adjunto na quinta-feira, ao mesmo tempo em que afirmou não sentir preocupação racional sobre o assunto.
Destacando os vários testes, simulações e modelagens realizadas, os funcionários da Nasa garantem que as investigações nos cálculos de seus projetos e contem com uma margem de segurança suficiente.
– Objetivo 2028 –
Todos prenderam a respiração durante os 13 minutos, seis deles sem qualquer possibilidade de comunicação com a tripulação, que separam a entrada da espaçonave na atmosfera, a 38.000 km/h, de seu pouso no Pacífico, após ter sido desacelerada por uma série de paraquedas robustas.
As famílias dos astronautas estarão presentes no centro espacial da Nasa em Houston, que coordena a missão.
Sendo, antes de tudo, uma missão de teste, o Artemis II tem como objetivo permitir que a Nasa verifique se seus sistemas estão prontos para viabilizar o retorno dos americanos à superfície lunar, com a finalidade de estabelecer uma base no local e preparar o terreno para futuras missões em Marte.
A Nasa Almeja realizou um primeiro pouso lunar em 2028, antes do término do mandato de Donald Trump e de 2030, dados estipulados por seus rivais chineses para pisar na Lua.
No entanto, os especialistas prevêem novos atrasos, uma vez que os módulos lunares de pouso ainda estão sendo desenvolvidos pelas empresas dos bilionários Elon Musk e Jeff Bezos.
Enquanto isso, esta primeira missão tripulada que já custou bolsas de bilhões de dólares, com vários contratempos e atrasos, buscou reacender a paixão dos americanos pela exploração espacial.
Outra expectativa da tripulação, segundo as previsões do comandante Reid Wiseman, era “permitir que o mundo fizesse uma pausa, ainda que apenas por um instante”. (AFP)
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