Home Policial “Perdoar seria matar o Miguel novamente”, diz mãe do menino, em carta à ex-patroa
Policial

“Perdoar seria matar o Miguel novamente”, diz mãe do menino, em carta à ex-patroa

Share
Share

Pouco mais de uma semana após perder o filho, Mirtes Renata Santana da Silva, mãe do menino Miguel Otávio Santana da Silva, de 5 anos, que faleceu após cair de uma altura de aproximadamente 35 metros em um condomínio de luxo na área central do Recife, abriu o coração ao falar sobre uma carta escrita por Sarí Côrte Real com um pedido de perdão à ex-funcionária. Também por meio de carta, Mirtes afirmou que não será possível perdoar a ex-patroa antes da “aplicação de uma pena”. Segundo ela, “antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente”.

Mirtes alegou que “após poucos dias é desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível”. A carta escrita por Sarí foi divulgada no dia 5 de junho, três dias após Miguel falecer. “Sabemos que ela (Sarí) não trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência por ser ‘filho da empregada'”, continuou Mirtes.

A trabalhadora doméstica voltou a afirmar que tomou conhecimento da carta escrita por Sarí através da imprensa. “Eu não recebi qualquer pedido de desculpas. A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me fez pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser um ano de eleição”, disse. (Jornal do Commercio)

https://youtu.be/8vpNkVvYzdo

Leia a íntegra da carta de Mirtes

SOBRE O PERDÃO PEDIDO POR SARÍ

Eu não recebi qualquer pedido de desculpas. A carta de perdão foi dirigida à imprensa, o que me faz pensar que eu não era destinatária, mas sim a opinião pública com a qual ela se preocupa por mera vaidade e por ser esse um ano de eleição.

Eu não tenho rancor. Tenho saudade do meu filho. O sentido da vida de quem é mãe passa pelo cheiro do cabelo do filho ao acordar, pelo sorriso nas suas brincadeiras, pelo “mamãe” quando precisa do colo e do abrigo de quem o trouxe ao mundo. Uma mãe, sem seu filho, sofre uma crise, não apenas de identidade, como também de existência. Quem sou eu sem Miguel? Ela tirou de mim o meu neguinho, minha vida, por quem eu trabalhava e acordava todos os dias.

Quando eu grito que quero justiça, isso significa que eu preciso que alguém assuma a minha dor, lute minha luta, seja o destilado da cólera que eu não quero e nem posso ser. Eu não tenho forças neste momento, não tenho chão. Não tenho vida!

Após poucos dias é desumano cobrar perdão de uma mãe que perdeu o filho dessa forma tão desprezível. Afinal, sabemos que ela não trataria assim o filho de uma amiga. Ela agiu assim com o meu filho, como se ele tivesse menos valor, como se ele pudesse sofrer qualquer tipo de violência por ser “filho da empregada”.

Perdoar pressupõe punição; do contrário, não há perdão, senão condescendência. A aplicação de uma pena será libertadora, abrandará o meu sofrimento, permitirá o meu recomeço e abrirá espaço para o que foi pedido: perdão. Antes disso, perdoar seria matar o Miguel novamente”.

Share

Leave a comment

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Related Articles
PetrolinaPolicial

Adolescente é flagrado com arma caseira pela Guarda Municipal em Petrolina

Um adolescente foi conduzido à delegacia após ser flagrado com uma arma...

PetrolinaPolicial

Policiais militares do 5º BPM apreendem arma de fogo no Portal da Cidade, em Petrolina

Policiais militares do 5º BPM apreenderam uma arma de fogo na manhã...

JuazeiroPolicial

CIPE Caatinga celebra 25 anos como referência no combate ao crime no sertão baiano

Na sexta-feira (17), o 3º Batalhão de Ensino, Instrução e Capacitação (3º...

PetrolinaPolicial

PM recupera motocicleta roubada no bairro Dom Avelar, em Petrolina

Policiais militares do 5º BPM recuperaram, na noite desta sexta-feira (17), uma...